12/03/2012

INTERLÚDIO - OS CÓMICOS 321

UM PEQUENO INTERVALO NA PUBLICAÇÃO DE "O EROTISMO A NU".
PARA DESANUVIAR, AÍ VAI UMA CRÓNICA DA SÉRIE "OS CÓMICOS"
PUBLICADA NO DIÁRIO DO SUL DE 12.3.2012

DENTRO DE UM DIA OU DOIS, SERÁ RETOMADA A PUBLICAÇÃO QUE TEM VINDO A SER FEITA REGULARMENTE; ÀS QUARTAS E SÁBADOS

EU TINHA UM CONTRATO
           
Já lá vai uma catrefada de anos, já nem sei quantos, fiz um contrato… Era eu, então, um rapaz novo… Há quem diga que é asneira dizer-se um rapaz novo, porque todos os rapazes são, por definição, novos… mas é mentira, há rapazes que já nascem velhos – mas isso agora não vem ao caso. O que vem ao caso é que eu, nesse tempo, era rapaz e era novo. E fiz, então, um Contrato... Ora, desde esses tempos de rapaz, habituei-me a levar muito a sério os Contratos feitos. E este, de que vos falo, foi estabelecido tacitamente entre eu próprio e os Senhores-Que-Mandam-Na-Gente. Refiro-me, naturalmente, aos Senhores-Que-Mandavam-Nesse-Tempo, e não aos Senhores-Que-Mandam-Agora. Mas sempre me disseram, foi o que me ensinaram na Escola, que estes Contratos são para cumprir, mesmo quando os Senhores são substituídos por outros Senhores… Para ser mais exacto, o Contrato foi feito entre duas entidades: eu próprio, como Cidadão, e o outro signatário, chamado Estado… Coisa séria, como se vê, coisa para valer, e para ser respeitada por ambas as partes… E agora vem a pergunta: de que tratava o Contrato? Eu explico. Havia três pontos principais. Vamos ao Primeiro. Da minha parte, haveria o compromisso de, durante um certo número de anos, trabalhar honestamente, e ganhar, como contrapartida do meu trabalho, um ordenado que me permitisse viver decentemente. Depois, havia alguns pormenores, também importantes – como, por exemplo, o de o meu ordenado ser maior ou menor, conforme eu trabalhasse mais ou menos, melhor ou pior, com mais competência ou com menos afinco… Mas, assim em termos gerais, era este o primeiro ponto do contrato. O Segundo ponto explicava que, uma vez terminada a minha carreira profissional activa, eu teria direito a receber uma pensão de reforma, calculada segundo umas tabelas muito bem feitas, isto quando já fosse velhote e já não pudesse com uma gata pela cauda… Falta só falar do Terceiro ponto; dizia que eu seria sempre tratado de forma igual à dos meus concidadãos que, todos eles, fariam contratos idênticos… Ora bem, o que eu gostava de ver esclarecido, pelos Senhores-Que-Mandam-Na-Gente, e agora refiro-me aos actuais, que são os continuadores dos antigos, mas que, segundo as leis e os costumes universalmente aceites, devem honrar os Contratos existentes – o que eu queria ver muito bem explicado era o seguinte: tendo eu cumprido escrupulosamente o primeiro ponto do Contrato (isto é, tendo trabalhado, dentro das minhas melhores capacidades, durante o período mais activo da minha vida, e tendo, nesse período, feito os devidos descontos para a pensão que o Contrato me concede), muito estranhei que os Senhores-Que-Mandam-Agora-Na-Gente me tenham rapinado uma fatia muito considerável da minha pensãozinha, a pretexto de isso ajudar a salvar a Pátria de um destino tenebroso. Não me pareceu bem – mas, enfim, sendo para um fim patriótico, ainda resmunguei, mas amochei… O que já não posso aceitar, nem suportar, é que o terceiro ponto do meu Contrato esteja agora a ser deitado para o caixote do lixo. E é como lixo que os Senhores-Que-Mandam-Na-Gente me estão a tratar – ao considerarem-me diferentemente de alguns dos meus concidadãos, ou seja, não em pé de igualdade, mas a pontapé! É que existe uma classe, entre esses meus concidadãos, que, tendo feito, certamente, Contratos perfeita e democraticamente iguais aos meus – está agora a ser beneficiada com condições muito especiais, segundo as quais não terá de fazer sacrifícios idênticos! Ou seja: para eles, e para os Senhores-Que-Mandam-Na-Gente, o Contrato é sagrado em todos os pontos – excepto no terceiro. Quanto a esse ponto, é um papelucho que se pode rasgar. Parece que eles, esses estranhos privilegiados, exigem não ser tratados exactamente como eu e a maioria dos parvos que acreditaram na validade de um Contrato honesto...
É no que dá isto de a gente confiar em Senhores-Que-Mandam-Na-Gente-E-Nos-Rapinam-O-Que-É-Nosso… mas não igualmente a todos!
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07/03/2012

O EROTISMO A NU - De "HETERA" a "INSACIÁVEL"

HETERA – Nome requintado que se aplicava às cortesãs que, na época medieval, se dedicavam àquilo que, segundo Demóstenes, seriam as “volúpias da alma”. No fundo, porém, trata-se de designar, com mais um nome delicado, uma mulher que faz o mesmo que muitas outras, só que a um preço mais elevado e de forma mais refinada.

HETEROSSEXUAL – Aquele (ou aquela) que se considera "normal", em termos sexuais, isto é, que manifesta atracção sexual pelo sexo oposto. O homem heterossexual médio é atraído normalmente por uma mulher adulta, jovem, ao passo que a mulher heterossexual média é atraída por um homem adulto, em geral um pouco mais velho que ela. As variações muito pronunciadas a este padrão (homens ou mulheres com especial atracção por meninas impúberes, bem como mulheres ou homens atraídos por meninos muito jovens) entram no campo da pedofilia, considerada um desvio sexual, hoje punido legalmente. No entanto, estas tendências eram toleradas em civilizações antigas, a par da homossexualidade, masculina ou feminina, e tiveram grande aceitação, por exemplo, na civilização Grega.

HÍMEN – Membrana situada no orifício anterior da vagina, que marca o limite entre esta e o vestíbulo. A ruptura do hímen costuma dar-se, naturalmente, através da introdução do pénis, no primeiro coito. É o acto da desfloração, a que se dá, desde tempos imemoriais, uma importância fundamental, pois é partir desse momento que a mulher deixa de ser virgem. Quando isso acontece no contexto do casamento, o acto é socialmente aceite, sendo até, em certas épocas e em certos países, festejado com a exibição pública do lençol onde a mancha de sangue, resultante da pequena hemorragia provocada pela ruptura do hímen, é a prova de que a noiva estava realmente virgem. Pelo contrário, um hímen já perfurado (ainda que isso possa ter acontecido por acidente), é sinal, para alguns, de que a mulher está “desonrada” – e, nos povos em que o dote é constituído por cabeças de gado que se entregam ao pai da noiva, tal facto faz diminuir drasticamente o número dos animais desse dote. Com a rápida evolução dos costumes e, nomeadamente, com a sucessão de casamentos e uniões de facto que é hoje normal para a maioria das mulheres, a mitificação do hímen perdeu a força que tinha em gerações anteriores – e, hoje, só raros homens se preocupam em investigar previamente se a mulher é ou não virgem. Isto porque são muitíssimo maiores as probabilidades de o não ser, e de o seu hímen já ter sido rompido por um anterior namorado.

HIPERSSEXUAL – Aquele que tem uma capacidade extraordinária, acima da média, para praticar sexo. Costumam apresentar-se, como exemplos, os famosos Casanova e Don Juan – mas as suas proezas eróticas talvez façam mais parte da lenda que da realidade. Há, no entanto, casos conhecidos de homens e mulheres capazes de cometerem proezas sexuais espantosas. São, no entanto, excepções. Entre as mulheres, salvo no caso clínico das ninfomaníacas, não são muito frequentes os exemplos das que só se satisfazem com vários actos sexuais consecutivos. No entanto, há alguns exemplos históricos conhecidos, como o de Messalina, cujas proezas ficaram lendárias. Para os homens, há um factor suplementar que os limita em tais proezas: a erecção desaparece, ou dificilmente se mantém, após o orgasmo, e só volta a acontecer algum tempo depois. Claro que há excepções, e esses são os casos que fazem história. Os hiperssexuais são muito invejados pelas pessoas ditas “normais” – mas as suas proezas são um pouco como o tamanho dos peixes capturados pelos pescadores amadores: há que dar-lhes o devido desconto...

HISTERIA – Doença nervosa caracterizada por convulsões, provocadas por causas diversas, entre as quais têm papel preponderante alguns problemas de carácter sexual. Uma virgindade prolongada, por exemplo, pode dar origem a este tipo de problemas, daí que se tenha tornado habitual afirmar-se que uma mulher histérica tem “falta de homem”, o que nem sempre é verdade – mas, às vezes, é...
                     
HISTÓRIA – Relato dos acontecimentos ocorridos. Narração dos factos sociais, económicos, políticos, intelectuais, etc., que influíram na existência da Humanidade. Em contraponto a esta definição “séria”, existe, curiosamente, uma outra, muito mais ligeira e menos pragmática, que se refere a um acontecimento íntimo na vida das mulheres: estas, quando estão no seu período mensal de menstruação, costumam dizer, delicadamente, que “estão com a história”...

HOMOSSEXUAL – Indivíduo que tem tendências sexuais, exclusivas ou predominantes, para com pessoas do seu próprio sexo. Embora, tradicionalmente, o termo se aplique, quase exclusivamente, aos homens que preferem outros homens, a verdade é que a mesma designação pode ser usada para as mulheres que amam outras mulheres – embora, a estas, se dê habitualmente o nome de lésbicas (o nome tem origem na ilha grega de Lesbos, onde nasceu a poetisa Sapho, considerada a maior poetisa lírica da Antiguidade). Tais tendências foram, durante séculos, consideradas desvios, e os seus praticantes chamados “anormais”. Actualmente, porém, prevalece a ideia de que o homossexual é alguém que nasceu com determinadas características, contra as quais não pode lutar, e são essas características que o levam a preferir indivíduos do seu próprio sexo. Alguns homossexuais provocam reacções negativas de parte da sociedade dita “normal”, não propriamente por causa da sua homossexualidade, mas por outras razões, como o exibicionismo e o narcisismo que às vezes manifestam. As “paradas gay” tornaram-se uma forma particularmente visível desse exibicionismo, que não parece favorecer a aprovação dos homossexuais, embora estes, quando se apresentam com naturalidade, sejam geralmente bem aceites na sociedade.
            Freud afirmava que, em todos os indivíduos, há uma tendência homossexual mais ou menos escondida, que pode manifestar-se ocasionalmente, sem que isso signifique uma opção definitiva. São raras as pessoas que, numa ou noutra altura das suas vidas, não tiveram uma experiência (ou, pelo menos, uma tentação, uma breve "escapadinha") de cariz homossexual.

HORMONAS – Substâncias segregadas pelas glândulas endócrinas, com funções muito importantes no organismo. As hormonas sexuais são segregadas pelos testículos e pelos ovários, e têm influências sexuais determinantes, particularmente sobre o instinto sexual. Mas as que nos interessa destacar são as hormonas erotogénicas, ou seja, aquelas que têm um papel importante no desempenho sexual e no desejo erótico, não devendo confundir-se com as outras hormonas (testosterona, foliculina, etc.). A excitação sexual provocada pela simples imaginação erótica deve-se a estas hormonas, mas o seu papel, do ponto de vista químico, não é ainda bem conhecido. O que se sabe, isso sim, é que contribuem para bons momentos de prazer.

HOSPEDARIA – Dá-se este nome a uma casa que recebe hóspedes, mediante pagamento – tal como um hotel ou uma estalagem. No entanto, o termo, durante muito tempo, referia-se, com conotação um tanto ou quanto negativa, àquele tipo de casa onde se alugavam quartos destinados a encontros sexuais, por curtíssimos períodos de tempo. Daí que, nesse contexto, uma hospedaria fosse considerada como uma “casa de passe”, conceito que ainda hoje persiste, de certa forma, em algumas pessoas. Uma mulher que entrasse numa hospedaria via liquidada definitivamente a sua reputação. Hoje, uma mulher pode ser levada, mais discretamente, para um hotel, ou um motel, ou mesmo, sem discrição alguma, para casa dele... ou dela. 

I

IDIOSSINCRASIA – Disposição particular do temperamento do indivíduo, que faz com que ele manifeste, de modo especial e muito seu, a influência de diversos agentes. Do ponto de vista erótico, é o conjunto das características que definem a forma como cada um reage individualmente aos estímulos de tipo sexual. Por exemplo, uma pessoa poderá necessitar de uma boa dose de pornografia para se excitar, enquanto, para outra pessoa, bastará para isso a leitura de uma poesia mais ou menos licenciosa.

IMPOTÊNCIA – Impossibilidade de praticar o coito, provocada pela falta de erecção. Esta falta pode ter uma origem física ou psíquica, e impede, naturalmente, a reprodução da espécie. A impotência viril pode ser congénita (muito raramente), ou provocada por uma lesão física, por uma doença, por uma intoxicação (medicamentosa, alcoólica, etc.), pela idade – ou, mais frequentemente, por causas psicológicas, que podem incluir nevroses, receio de falhanço, timidez perante o outro elemento do par, resquícios de uma educação puritana, homossexualismo latente, etc. Existem actualmente alguns meios para ultrapassar o problema, que podem ser psicológicos (análise das causas escondidas), mecânicos (p.ex., implantes que mantêm o pénis erecto), ou medicinais (pastilhas tipo Viagra, que garantem uma erecção temporária).

INCESTO – Ligação carnal ilícita entre parentes próximos. Os psicanalistas designam o amor do filho por sua mãe “complexo de Édipo”, e o amor da filha por seu pai ”complexo de Electra”. O que é certo é que os primeiros aspectos do amor são de carácter sexual, o que é natural, pois a criança, como ser primitivo que ainda é, tem tendência a amar da única forma que conhece: aquela que lhe proporciona um prazer físico. Esse instinto, quando não é naturalmente conduzido para as formas mais tradicionais de relacionamento, pode levar ao incesto. Os psicanalistas dão grande importância a estes fenómenos entre pais e filhos, e não tanto ao que acontece entre irmãos e irmãs, que pode conduzir igualmente à mesma situação, considerada ilícita nos tempos actuais – mas que até já foi de bom tom, por exemplo, na antiga sociedade egípcia, em que o Faraó casava com sua irmã, para ter autoridade paternal sobre os filhos da sua esposa, de quem era simultaneamente tio. Uma trapalhada faraónica!

INFANTILISMO – Estado em que uma pessoa, embora adulta, mantém aspecto, modos e comportamentos próprios de criança – como acontece, por exemplo, com a mulher que dorme a chuchar no dedo, ou gosta de se sentar no colo das outras pessoas – e com o homem que brinca com os seios da mulher, ou da namorada, que acaricia, mordisca e chupa, recordando os seus tempos de bebé...

INFIBULAÇÃO – Prática usada entre certos povos, depois da excisão, ou seja, da ablação dos pequenos lábios e do clítoris, e tão primitiva como esta, que consiste em fechar a vagina das jovens, de tal forma que só uma faca, ou o pénis do marido, voltará a abri-la. Também se pratica com os rapazes, repuxando para a frente a pele do prepúcio e fixando-a com um anel. Parece que os Romanos praticavam a infibulação nos eunucos, como precaução suplementar contra o que lhes restasse (certamente não muito...) de ousadia sexual.
  
INFIDELIDADE – Em sentido amplo, é uma traição, uma deslealdade. Entre pessoas casadas, ou vivendo juntas, trata-se de uma traição específica, que significa envolvimento com outra pessoa, estranha ao casal. É um acto que, em tempos mais recuados, provocava grande escândalo a nível social, podendo levar a atitudes drásticas, como vinganças cruéis, assassinatos, duelos, heranças anuladas, etc. Actualmente, o fenómeno é encarado com maior naturalidade, embora ainda provoque, por vezes, algum mal-estar entre os protagonistas. Mas o seu efeito mais visível é o manancial de notícias maliciosas que se espalham nas revistas cor-de-rosa...

INIBIÇÃO – Estado de hesitação, dúvida e falta de coragem para assumir uma atitude positiva, perante uma outra pessoa, ou uma situação mais difícil. É o fenómeno que faz um rapaz corar ante a perspectiva de ter de se aproximar de uma rapariga, recuando no momento decisivo. Pior ainda quando se trata de acção mais atrevida, como uma fugaz apalpadela, ou ainda mais audaciosa, como um beijo.

INICIAÇÃO – O começo de qualquer coisa – por exemplo, o início da vida sexual. Esta iniciação dá-se, frequentemente, através da masturbação, que é um acto natural da adolescência, preparatório das acções mais complexas que hão-se realizar-se na idade adulta. A iniciação sexual dos jovens dá-se cada vez mais cedo, tanto para os rapazes como para as raparigas, dadas as facilidades de convívio que a vida moderna lhes oferece, e a informação facilitada a que têm acesso. Em tempos recuados, as raparigas (pelo menos, as “sérias”) só eram iniciadas na noite de núpcias, até à qual deviam manter intacta a sua virgindade. Quanto aos rapazes, iniciavam-se, geralmente, nas “casas de meninas”, o que era muito bem visto pela sociedade de então, a qual achava natural que eles “se fizessem homens” dessa forma.

INOCÊNCIA – Qualidade de quem é puro, ingénuo, simples – e, acima de tudo, virgem. Ao perder a inocência, muitos (e muitas) passam, na opinião dos puritanos, ao estado de "indecência".

INSACIÁVEL – Aquele ou aquela que não se farta facilmente. No que respeita ao sexo, refere-se ao indivíduo que o pratica incessantemente, sem nunca se dar por satisfeito. Não é uma situação tão agradável como parece à primeira vista. Uma pessoa sempre terá alguma dificuldade em encontrar outra que esteja disposta a satisfazer os seus repetidos e incontroláveis desejos, o que poderá levá-la a um estado de frustração, nada agradável. 

03/03/2012

O EROTISMO A NU - De "FIXAÇÃO" a "HERMAFRODITA"

FIXAÇÃO – Fenómeno com características muito parecidas com as do fetichismo, pode concretizar-se numa adoração obsessiva por um objecto de cariz sexual, ou por uma determinada parte do corpo da pessoa amada. Assim, há quem tenha uma fixação absoluta por uma peça de vestuário, ou, mais frequentemente, por mamas, ou nádegas, observadas e apreciadas como as partes do corpo mais capazes de excitarem sexualmente o observador.

FODER – Palavra considerada muito feia, mesmo obscena, até há algum tempo, mas que, na actualidade, se vulgarizou e é utilizada com frequência e à-vontade, tanto na linguagem escrita como na oral. Foi um termo banido, durante muitos anos, dos dicionários normais, mas passou a ser frequente encontrá-lo em romances, artigos de imprensa ou legendas de filmes. Toda a gente sabe, como sempre soube, o seu significado: fornicar, copular, ter relações sexuais.

FORNICAR – Termo mais facilmente aceite, tanto que os próprios puritanos o citam, quando acusam as outras pessoas de se dedicarem, com demasiado interesse e frequência, aos prazeres do sexo. Claro que tais acusações acabam por ter um efeito oposto ao pretendido: quanto mais se critica o excesso de fornicação, mais os fornicadores fornicam...

FREUD – Sigmund Freud (1856-1939) foi o fundador da Psicanálise. Nasceu em Freiberg, Morávia. Em 1893, publicou, com Breuer, “Mecanismos Psíquicos dos Fenómenos Histéricos”. Em 1900, publicou “A Ciência dos Sonhos”. Em 1901, “Psicopatologia da Vida Quotidiana”. E, em 1905, os famosos “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”. A sua primeira revista sobre Psicanálise saiu em 1908. Entre 1916 e 1918 foi professor na Universidade de Viena. Em 1922 fundou, nessa cidade, a primeira grande clínica psicanalítica. Seguiram-se anos de estudo e de lançamento de teorias, algumas bastante polémicas, sobre histeria, traumas, hipnotismo, sonhos, o "complexo de Édipo", o "complexo de castração", o "super-ego" e outros temas que fizeram dele a figura mais controversa da sua época. O famoso divã onde fazia deitar os seus pacientes, para que “confessassem” os seus problemas mais íntimos, tornou-se uma imagem do seu modo de actuar, depois bastante contestado, mas que veio dar um contributo precioso para a análise da alma humana, das suas contradições, dos desejos e tendências ocultas, e para a interpretação de muitos aspectos, até então obscuros, da personalidade de cada um, particularmente nos aspectos ligados à sexualidade. Foi muito combatido pela Igreja católica, em parte pelas reservas sobre o tipo de “confissões” obtidas no divã.

FRIGIDEZ – Inércia das funções genitais, na mulher, ou impotência, no homem, levando à impossibilidade de atingir o orgasmo. A mulher pode sentir, durante o coito, uma dor que a impede de sentir prazer. Essa dor pode ter várias causas, como, por exemplo, a diferença demasiado sensível entre os órgãos dos parceiros; a mulher reage então como se fosse frígida, sem necessariamente o ser. A brutalidade de um primeiro contacto também pode provocar uma anestesia genital duradoura. Porém, quase sempre, trata-se de uma série de processos psíquicos muito complexos, classificados cientificamente sob o título geral de “Dispareunia”, e que podem ter várias "nuances" e várias explicações, algumas de origem física, outras de carácter psicológico, que podem ir desde a sublimação do amor espiritual em contraste com o amor físico, até ao “terror do órgão masculino”, ao “terror da gravidez” e outros factores igualmente inesperados. Para um homem, copular com uma mulher frígida é como fazer amor com um tijolo.

FRUSTRAÇÃO – Estado que se segue à tensão sexual e que, se esta não conduzir ao orgasmo, provoca, segundo Freud, uma sensação de angústia. Na verdade, se os preliminares faziam prever uma agradável finalização, mas esta não se concretiza, o sentimento prevalecente é de falhanço. Existe a teoria de que a agressividade será uma reacção à frustração, pelo que a psicanálise poderá concluir que os povos em que o amor maternal é mais reservado ou mais fraco têm tendência a ser povos de guerreiros. A "frustração da ternura maternal" seria, então, a verdadeira origem dos “grandes heróis”.  


G

GAY – Designação, relativamente moderna, para homossexual, isto é, aquele que tem tendência para gostar de pessoas do mesmo sexo. As designações antigas mais aplicadas eram pederasta, ou invertido, que vão caindo em desuso, havendo ainda muitas outras, populares e mais ofensivas, como “paneleiro”, ”rabicho”, "maricas", etc. Chama-se gay tanto a um homossexual masculino como a um feminino, mas é mais usual aplicá-lo no primeiro caso, já que, para o caso das mulheres, há termos alternativos, como lésbica – isto apesar  da forte contestação dos habitantes da ilha grega de Lesbos, que reivindicam para si o exclusivo da designação, separando-a do seu contexto sexual (não devem ter grande êxito na sua reivindicação, tão difundido está, universalmente, o sentido da palavra).
É curiosa a origem da palavra gay, que, em Inglês, se traduz por “alegre”, “divertido”, “jovial”, mas também “enfeitado”, “adornado” – e, em tempos anteriores, e em linguagem popular, também significava “bêbado”.    

GENITAL – Órgão ou parte da corpo que serve para gerar. Genitais são, portanto, “partes genitais” ou “órgãos genitais”. Também são conhecidos, entre pessoas mais pudicas, sob o nome de “partes vergonhosas”, ou “partes pudendas”. Seja qual for o nome que se lhes dá, são as zonas do corpo humano mais desejadas e sobre as quais os jovens (e os menos jovens...) têm maior curiosidade.        

GERONTOLOGIA – Estudo acerca dos velhos e da velhice. Sabendo-se que a actividade sexual vai diminuindo com a idade, tem interesse estudar-se até quando essa actividade pode ser mantida com alguma intensidade, já que, em muitos casos, o desejo sexual se mantém, embora cada vez mais difícil de satisfazer, a não ser com a ajuda de meios auxiliares, entre os quais os meios químicos (p.ex. Viagra) ou mecânicos (implantes e outros).

GIGOLÔ – Homem que se considera muito esperto por viver à custa das mulheres, particularmente através do domínio que sobre elas exerce, fazendo com que elas se prostituam. Esse domínio nem sempre é de tipo sexual, isto é, o gigolô pode ou não praticar sexo com as mulheres que o sustentam, podendo limitar-se a extorquir-lhes o dinheiro que elas obtêm dos favores prestados a outros. Nomes alternativos para a espécie: chulo (em Português), souteneur (em Francês), pimp (em Inglês), caften (no Brasil), etc.

GINECOFOBIA – Receio mórbido do sexo feminino. Aversão às mulheres. Atenção, o ginecófobo não é, obrigatoriamente, homossexual; pode, simplesmente, detestar mulheres, sem que isso signifique que gosta de homens.

GODEMICHÉ – Também chamado olisbos, nome grego que designa um falo artificial. Trata-se de um artefacto, feito de qualquer material, que possa servir como substituto de um pénis, assumindo as formas mais variadas. Já Aristófanes faz referência ao godemiché em “Lysistrata”, o que comprova como a sua utilização vem de tempos muito antigos. Num catálogo belga de “Artigos Especiais em Borracha” apresentam-se três tamanhos, respectivamente com os comprimentos e diâmetros de 160/40, 140/35 e 120/30 mm.  Também conhecido por "consolo de viúva", evoluiu bastante nos últimos tempos, passando a incluir um sistema de pilhas que o transforma num vibrador, apresentando-se sob várias formas, tamanhos e cores, havendo alguns com capacidade para ejacular líquidos e espalhar odores.

GONORREIA – Doença venérea, muito comum durante gerações, presentemente em regressão, devido aos hábitos, mais generalizados, relacionados com a higiene, e aos cuidados, agora mais intensos, com a sua prevenção. Popularmente conhecida sob o nome de esquentamento, consiste num corrimento, bastante incómodo e doloroso, devido a uma infecção. A sua transmissão tornou-se habitual e dramática, através das relações com prostitutas que não mantenham hábitos de higiene mínimos.

GRANDES LÁBIOS – Pregas de tecido cutâneo que constituem a parte superficial e exterior da vulva. Protegem o clítoris e a vagina.

GRAVIDEZ – Estado da mulher prenhe, que começa na fecundação e termina no parto. A gravidez provoca na mulher uma grande reacção física e psíquica, podendo reactivar nela as experiências libidinosas da infância. Manteve-se, durante muito tempo, o mito de que as mulheres grávidas não deviam ter qualquer actividade sexual, mas esse conceito está hoje totalmente ultrapassado, e as grávidas sabem que podem fazer amor, sem grandes problemas e, praticamente, sem restrições, até ao fim da gravidez, apenas com algumas precauções quanto às posições adoptadas. Em muitos casos, o desejo sexual até aumenta bastante nessa fase. A gravidez tem um grande papel na explicação, às crianças, dos fenómenos sexuais, perante a pergunta habitual: “De onde vêm os bebés?”. As explicações tornam-se mais fáceis e evidentes.

GRITOS – Durante o coito, algumas pessoas ficam tão excitadas que não conseguem evitar a manifestação do gozo que sentem, através de suspiros, de gemidos ou de gritos bem sonoros. Põe-se aqui um problema. Há pessoas que se excitam com os gritos de prazer do parceiro ou parceira, os quais aumentam o seu próprio gozo; mas há quem, pelo contrário, não aprecie essas manifestações e chegue a perder a vontade de continuar, transformando-se assim o acto numa frustração para ambos. Por uma questão de pudor, de vergonha, de receio de incomodar os vizinhos, há quem prefira que tudo se passe em silêncio. Só que, para quem vibra com a excitação, nem sempre é possível abafar um grito pelo qual se manifesta o prazer sentido. A conciliação entre as duas atitudes opostas, num casal, não é fácil de conseguir. Por vezes, só uma almofada aplicada na altura crucial consegue abafar uma manifestação que uns consideram incómoda, ao passo que outros a consideram altamente erótica.

GUEISHA – Uma instituição tipicamente japonesa, que representa um compromisso entre a cortesã e a "acompanhante". Cortesã é um nome delicado para uma prostituta, ao passo que "acompanhante" (aquilo que os Americanos chamam "escort") é uma jovem bonita e atraente, contratado para sair com quem lhe paga, para ser exibida perante outras pessoas, conviver e partilhar uma boa refeição, e, eventualmente, acabar por passar a noite na cama de quem alugou os seus serviços. Uma gueisha é uma mistura de tudo isto; por vezes, limita-se a servir o chá segundo o ritual japonês; deve ser relativamente culta, saber conversar, ser boa companhia – e, por vezes, ficará por aí. Enfim, uma variante oriental de uma actividade que se pratica em todo o mundo.

GUESQUEL – Instrumento de erotismo que era usado pelos índios patagónios para fazerem gozar as suas mulheres. Era constituído por uma pequena coroa de tufos de crina de mula, cuidadosamente montados num cordel fino e colorido. O homem atava este cordel por detrás da glande e, durante o coito, introduzia o instrumento, com as escovas para diante, na vagina da mulher. O efeito era tão violento que a mulher sentia um prazer extremo, que a levava a um orgasmo extraordinariamente forte. Entre os índios, um bom guesquel chegava a valer três a seis cavalos, conforme o cuidado com que era montado, a abundância de escovas e a cores que o enfeitavam. Alguns incluíam pequenos sacos com conchinhas, que titilavam entre os testículos durante o coito, o que estimulava o homem. Como se verifica por este exemplo, os modernos preservativos especiais, com feitios e acessórios sofisticados, não fazem mais do que imitar o que já foi inventado há muito tempo, com a intenção de aumentar o prazer durante o acto sexual.


H

HARÉM – Divisão ocupada pelas mulheres, entre os muçulmanos. Confunde-se por vezes o harém com o serralho. Este é o palácio do sultão, enquanto o harém é a parte reservada às esposas e às concubinas. Os contos das “Mil e Uma Noites” e o cinema divulgaram uma imagem do harém que corresponde ao sonho de qualquer homem, desejoso de ter à sua disposição um lote numeroso de belas mulheres, prontas a satisfazer os seus desejos eróticos. Um muçulmano pode ter quatro esposas legítimas e, se for suficientemente rico, uma quantidade incontável de concubinas. O harém é o gineceu onde vivem todas estas mulheres, vigiando-se mutuamente e esperando a visita do seu senhor. Segundo certas histórias que contêm mais fantasia que realidade, elas entregam-se frequentemente, para passar o tempo, aos prazeres de Sapho – nada mais natural, uma vez que o seu senhor, perante uma tão grande fartura, deixará, decerto, passar muito tempo entre as suas visitas amorosas.    

HERMAFRODITA – Indivíduo que reúne as características dos dois sexos. Por vezes, embora raramente, os hermafroditas poderão mesmo possuir, simultaneamente, ovários e testículos. Trata-se, portanto, de um indivíduo bissexual, que enfrenta a confusão entre a condição ambígua do seu corpo e o sexo que lhe foi atribuído legalmente, o que só se resolve, por vezes, cirurgicamente, com a opção por um dos sexos – solução sempre difícil de concretizar, além de dificilmente aceite pela sociedade.

01/03/2012

O EROTISMO A NU - De "ESPERMATOZÓIDES" a "FETICHISMO"

ESPERMATOZÓIDES – Células sexuais masculinas, que, ao juntarem-se aos óvulos, dão origem à vida. São tão pequenos que não se podem ver a olho nu, mas é deles que depende a concepção de um novo indivíduo. A sua vida não é fácil: em cada ejaculação podem produzir-se 200 milhões de espermatozóides, que têm uma longa e trabalhosa jornada a percorrer, até que apenas um atinja o óvulo e o fecunde. Mas, sem a existência e a persistência desse elemento microscópico, nenhum de nós existiria, neste momento, para tomar conhecimento destes factos.

ESQUENTAMENTO – É o nome vulgar que se dá à doença venérea chamada gonorreia ou blenorragia, caracterizada por um corrimento purulento, provocado por uma infecção. Este nome é tão popular como o foi, durante gerações, a doença a que ele se refere, e que era cuidadosamente escondida do conhecimento geral, por razões de ordem higiénica e social.  

ESTERILIDADE – Qualidade de quem não tem capacidade física para dar origem a novas vidas. Como é necessária a junção do espermatozóide com o óvulo para que isso aconteça, basta que um dos elementos do casal, o homem ou a mulher, seja estéril, para que não possa ter filhos naturais. A adopção é o recurso mais utilizado.

ESTERILIZAÇÃO – A esterilidade, ou infecundidade, pode ser causada por vários factores, físicos ou psicológicos, mas também pode ser alcançada por vontade própria. Para isso, é necessário fazer um certo tipo de operação. O homem, poderá, voluntariamente, fazer uma vasectomia; quanto à mulher, pode consegui-la através da laqueação das trompas. Mas é curioso verificar que, em grande parte destes casos, as pessoas que se dispõem a aceitar a esterilização acabam por arrepender-se, mais tarde, de terem tomado essa resolução drástica.

ESTIMULAÇÃO – Factor que desencadeia a actividade de uma zona sensível do corpo humano. Antes de qualquer acto amoroso, e para que este seja plenamente satisfatório, a estimulação, através dos mais variados meios, é muito importante e faz parte dos preliminares, sem os quais esse acto não terá graça alguma. A estimulação pode ser externa ou interna. Os estímulos físicos mais eficazes sobre as zonas erógenas são a fricção, a pressão, a sucção (acariciar essas zonas, esfregá-las, lambê-las). Mas a estimulação também pode ser alcançada por outros meios (fantasias voluptuosas, fotografias ou filmes, sonhos eróticos, etc.).

ESTROGÉNIOS – Hormonas esteróides que actuam no desenvolvimento das características sexuais femininas, contribuindo para a evolução do ciclo menstrual.

ESTUPRO – Atentado contra o pudor. Violação. É um nome muito feio para uma acção igualmente feia. Violar uma pessoa, isto é, praticar sexo contra a sua vontade, é uma estupidez, porque o próprio violador não retira desse acto a ínfima parte do prazer que sentiria num acto praticado de forma normal. Um desperdício, portanto, além de ser um crime.

EUGENISMO – Ciência que tem por objectivo estudar as condições para melhorar a reprodução da raça humana. Isto pode incluir muita coisa – desde o que acontecia na antiga Esparta, onde as pessoas se casavam nas idades consideradas mais favoráveis para terem filhos de qualidade – até às práticas de selecção racial da Alemanha no tempo do nazismo, quando se acreditava na superioridade da raça ariana e se eliminavam as raças consideradas inferiores. Em certas regiões do mundo e em certas épocas, as crianças fracas ou com defeitos físicos têm sido simplesmente eliminadas. Mas só a meio do século XIX, com a publicação da “Origem das Espécies”, de Charles Darwin, em 1859, e depois, em 1865, com as pesquisas do monge checo Gregor Mendel, o eugenismo começou a ter bases científicas. Estudos de Francis Gallon tentaram provar o papel da hereditariedade sobre o desenvolvimento da inteligência e da personalidade, as características ligadas ao génio e às capacidades excepcionais. Em certos países, o tema deu origem a normas legais, que resultaram na imposição da esterilização de indivíduos considerados abaixo dos parâmetros normais. As ligações do eugenismo ao racismo e aos sistemas de castas, bem como à segregação de doentes com enfermidades consideradas anti-sociais, são evidentes. Ora, aplicar às pessoas sistemas de selecção parecidos com os que se usam para melhorar o aspecto das orquídeas, não parece ser coisa muito aceitável...

EUNUCO – Homem castrado, que se empregava como guarda dos antigos haréns orientais. A palavra passou a designar todos os castrados – mesmo que não guardem qualquer harém, coisa que parece ter passado definitivamente de moda. Há quem empregue a designação eunuco por achá-la mais fina do que, por exemplo, "maricas".

EVA – A mulher de Adão e a mãe do género humano, segundo o “Génesis”. Símbolo universal que concentra em si a parte feminina da Humanidade, com todas as suas qualidades, todos os seus defeitos – mas, acima de tudo, com todo o seu encanto e mistério. Deve ser a figura mais repetidamente representada e citada na pintura, na escultura, na música, na literatura, na epistolografia, em todas as manifestações humanas conhecidas. Eva é a Mulher, a Amante, a Irmã, a Mãe, a Amiga, a metade a conquistar pelo Homem, para que o Amor torne o Mundo mais agradável.

EXCISÃO – Uma das práticas mais selvagens praticadas sobre as jovens, desde há mais de 5000 anos, o que lhe dá o estatuto de tradição muito antiga – mas não lhe concede justificação suficiente para dela retirar as características que tem, de acção bárbara e cruel. Consiste no corte do clítoris ou dos lábios vaginais, justificada por motivos religiosos e, alegadamente, para que as moças não possam ter orgasmos. Existe também a teoria de que se trata de uma manifestação de ciúme das mulheres mais velhas contra as jovens Seja como for, trata-se de uma operação desumana, feita habitualmente sem qualquer anestesia ou precaução sanitária, e que, muitas vezes, conduz à morte da pobre rapariga – ou, se ela sobrevive, à impossibilidade de gozar um dos maiores prazeres da vida.

EXCITAÇÃO – Estado de actividade acima do habitual, num órgão do corpo humano. A excitação sexual envolve uma certa tensão misturada com o princípio do prazer. Pode ser causada por uma estimulação, física ou psicológica, na antecipação do prazer sexual desejado. Quando, após a excitação, não se segue um orgasmo, a frustração daí resultante pode ser perigosa. A repressão, a inibição, relacionadas, por exemplo, com o "coito interrompido", dão origem a essa excitação frustrada, que terá como consequência um estado de angústia e outros problemas psicológicos graves. Conclusão: depois de se excitar, não se deve parar antes de consumar.  

EXIBICIONISMO – Obsessão mórbida, habitualmente manifestada, mais nos homens do que nas mulheres, através do acto de desnudar-se, total ou parcialmente, ou de exibir os órgãos sexuais, as chamadas “partes vergonhosas” do corpo, obtendo com isso prazer sexual. Nos homens, costuma concretizar-se, mais frequentemente, perante um público feminino jovem, pelo que os exibicionistas aparecem junto de escolas e colégios, esperando a saída das alunas para, de repente, abrirem a frente das gabardinas com que se tapam e assim assustarem as incautas rapariguinhas. A melhor coisa que as visadas podem fazer é não reagirem com ar de susto e, pelo contrário, desatarem a rir à gargalhada perante o “espectáculo”, ridicularizando o exibicionista, que, desta forma, ficará completamente desiludido e bastante confuso.
            Nas mulheres, o exibicionismo manifesta-se através do gosto de se vestirem e de se maquilharem, por vezes exageradamente, de forma ostensiva e vaidosa.
Nos dois sexos, o exibicionismo pode sublimar-se no chamado “complexo espectacular”. Quer isto dizer que a tendência para as Artes do Espectáculo contém, em si mesma, uma dose muito importante de exibicionismo, embora, normalmente, sem chegar aos exageros que fazem parte do exibicionismo de carácter sexual.

EXOGAMIA – União proibida entre pessoas não consanguíneas. Interdição de os membros de uma mesma família terem relações sexuais entre si. Esta regra tornou-se particularmente importante ao verificar-se que, dos casamentos entre familiares muito próximos, ou das uniões incestuosas, nascem por vezes crianças com malformações ou com deficiências físicas ou mentais. Foi por isso que, na Europa, houve tantos reis e príncipes meio tontos, ou mesmo completamente loucos: era o resultado dos casamentos cruzados entre famílias próximas.

ÊXTASE – Estado mental caracterizado por uma contemplação profunda, deixando a pessoa fora da realidade, como se tivesse passado para outro mundo. Volúpia íntima que absorve todo e qualquer outro sentimento, deixando o indivíduo aparvalhado. No êxtase, as funções intelectuais são desviadas e o mundo exterior como que desaparece. Em casos extremos de êxtase provocado, ou direccionado para figuras ou cenas sexualmente significativas, o indivíduo pode chegar involuntariamente ao orgasmo.


F

FALO – Termo usado, desde a Antiguidade, para designar o membro viril, considerado símbolo de fecundidade. Era, desde tempos remotos, objecto de adoração, como se comprova através de inúmeras esculturas, pinturas e outras obras de arte, tais como obeliscos no Egipto, monólitos na Córsega, torres na Irlanda, incontáveis representações na Macedónia, na Índia, na Polinésia, etc. As pinturas de Pompeia, embora representando um universo que tinha conhecido o seu esplendor cinco séculos antes, dão uma ideia dos rituais orgíacos, das festas dionisíacas, das bacanais, em que o sexo era uma componente dominante e em que aparecem falos por toda a parte – mesmo nas partes mais improváveis... São inúmeras as designações alternativas que se podem aplicar ao falo: pénis, pene, membro, pau, tora, cacete, moca, porra, vara, pila, picha, pichota – além de nomes tão carinhosos e tão íntimos como “zèzinho”, “minhoca”, “pirilau”, etc.

FANTASIA – Uma das componentes mais importantes do prazer sexual. Por vezes, a fantasia sobrepõe-se à realidade, no sentido em que a pessoa imagina certas situações, certas relações e, até, certas posições, que lhe proporcionam um acréscimo de prazer erótico. É vulgar, por exemplo, um jovem imaginar-se a beijar uma bonita rapariga que mal conhece, ou uma estrela de cinema; tal como pode acontecer a uma mulher, casada com um homem que detesta, suportar que este a possua enquanto ela pensa como seria bom ter ali, não o esposo, mas aquele operário robusto que trabalha na obra ao lado... Outras fantasias frequentes são as que levam as pessoas a imaginar-se protagonistas de cenas ousadas, como grandes bacanais, trocas de casais, amores homossexuais, sexo com dois, três ou mais parceiros, sexo com animais, etc.

FAUNO – Divindade mítica dos Gregos, com patas de bode, que habitava nos bosques e tinha fama de possuir grande potência sexual, praticada sobre as ninfas, suas companheiras nesses locais misteriosos onde viviam.

FECUNDAÇÃO – Acto de fecundar, ou seja, de juntar o espermatozóide ao óvulo, para assim nascer um novo ser. Um dos maiores mistérios da Natureza é o facto singular de esse acto dar tão grande prazer a quem o pratica, a tal ponto que muita gente esquece (ou faz por esquecer) que a fecundação é, afinal, um factor de conservação da espécie, e considera-o um acto destinado exclusivamente a dar-lhe gozo. Os puritanos não aceitam esta maneira de pensar e de agir, preconizando que a fecundação deve ser exclusivamente destinada a procriar. Pelo contrário, os sibaritas defendem que o prazer deve estar acima de tudo. E, por isso, têm, incontestavelmente, muito maior popularidade que os outros...

FELLATIO – Ou felação, é uma prática sexual muito frequente, uma das variantes do sexo oral (outra modalidade deste tipo de sexo é o cunnilinctus, que é, por assim dizer, o seu contraponto). No fellatio, o pénis é introduzido, para ser lambido e sugado, na boca de outra pessoa que, assim, dá prazer ao seu parceiro – e pode, igualmente, ter prazer. Praticado desde a Antiguidade mais remota, podem encontrar-se representações do acto em inúmeras esculturas, pinturas, decoração de objectos comuns, etc., em velhas civilizações europeias, asiáticas, americanas ou africanas. Pode ser usado como preliminar para o sexo mais convencional, ou como substituto desse tipo de relações. E os casais heterossexuais praticam-no tanto como os homossexuais. Considerado uma perversão pelos mais puritanos, a verdade é que se tornou um acto alternativo ao coito, para quem, por exemplo, deseja preservar a virgindade. Em linguagem popular, chama-se broche ou mamada.  

FETICHISMO – Tem a ver com fenómenos de idolatria e de subserviência perante certas partes do corpo, ou certos objectos. Assim, cada fetichista pode dedicar toda a sua atenção, por exemplo, aos cabelos, aos seios, às pernas ou aos pés (seus, ou do parceiro ou parceira). Ou então, fixar o seu interesse nos sapatos, nas jóias ou na roupa íntima do ser amado. Não há, praticamente, nenhuma parte do corpo, nem nenhum objecto relacionado com a pessoa adorada, que não possa constituir um fetiche. É muito vulgar este tipo de adoração conduzir à masturbação.

22/02/2012

O EROTISMO A NU - De "DOENÇAS VENÉREAS" a "ESPERMA"

DOENÇAS VENÉREAS – Enfermidades transmitidas pelo coito e seus derivados. As mais conhecidas são a blenorragia, a sífilis, as uretrites, as micoses e outras, bastante graves e incómodas – e que, antes da descoberta das sulfamidas e dos antibióticos, chegavam a causar grandes epidemias. Actualmente, todas elas, praticamente, são curáveis, com relativa facilidade e rapidez. O caso especial da "sida" é que é mais alarmante, exigindo, a quem pratica actividades sexuais, precauções que são absolutamente essenciais – por mais que retirem romantismo e espontaneidade a esses actos.

DONJUANISMO – A personagem Don Juan aparece na literatura cerca de 1620, quando o monge espanhol Gabriel Tellez, conhecido como Tirso de Molina, escreve a peça “El Burlador de Sevilla y Convidado de Piedra”, onde se narra a história de um libertino, um sedutor que, depois, seria figura central de inúmeras obras de autores tão famosos como Molière, Byron, Stefan Zweig e Gregório Marañon (na literatura), ou Mozart (na sua ópera “Don Giovanni”). Assim, Don Juan tornou-se o símbolo do homem que persegue e conquista todas as mulheres – procurando incessantemente, não “uma” mulher, mas “a” mulher. Ao contrário de Casanova, este Don Juan é o verdadeiro libertino, que passa de uma mulher para outra, levado pelo desejo de conquistar todas, sem jamais se deter em nenhuma. Do ponto de vista da Psicanálise, chegou a afirmar-se que Don Juan, com a sua capacidade de amar e de se inflamar subitamente, seria, afinal, um homossexual latente. 

DOR – Sofrimento físico ou moral, sendo difícil quantificar qual destes dois é mais grave. No âmbito do nosso tema, interessa-nos citar a "dor de cotovelo" – curiosa designação para o ciúme – e a "dor de corno", não menos curiosa denominação para o tormento de quem sabe que é enganado por alguém que prometeu só dormir com ele e, afinal, anda a dormir com outros...


E


ÉDIPO – A este herói da mitologia grega, filho do rei de Tebas e de sua esposa Jocasta, o oráculo anunciou que mataria o pai para casar com sua mãe. Fugiu então da pátria, para tentar escapar ao seu destino, mas em vão. O grego Sófocles escreveu, sobre este tema, a mais perfeita das tragédias: “Édipo-Rei”. Mais tarde, Freud baptizou com o nome de complexo de Édipo o desejo erótico da criança pela sua progenitora. Assim, um rapaz desejaria, inconscientemente, fazer amor com sua mãe, depois de matar o seu pai. Enfim, uma verdadeira tragédia grega.

EJACULAÇÃO – Emissão do esperma, na ponta final do orgasmo masculino. É nessa altura que se atinge o clímax, o ponto supremo do acto sexual. Há duas modalidades de ejaculação que merecem atenção: a "ejaculação precoce", muitas vezes provocada por uma situação de nervosismo, ou seguindo-se a um longo período de abstinência; e a "ejaculação retardada", que pode ser o resultado de uma nevrose – ou, se é voluntária, exige uma preparação intensiva, destinada a reter a ejaculação até o casal poder atingir o orgasmo em simultâneo, o que não é fácil, implica muito treino, mas é extraordinariamente compensador.

ENDOGAMIA – Fecundação realizada entre gâmetas que estão separados mas que tiveram origem no mesmo invólucro celular. União entre pessoas que são familiarmente muito próximas, o que poderá originar descendentes com problemas mais ou menos graves. Foi o que aconteceu, durante séculos, em muitos casamentos entre membros de famílias reais, dando origem a descendentes, por vezes atrasados e mesmo idiotas, dos quais se conhecem muitos exemplos históricos.

EONISMO – Desejo, que certas pessoas apresentam, de se vestirem com trajes do sexo oposto. Também designado travestismo. Não se trata, obrigatoriamente, de homossexualismo, embora esse seja o caso mais vulgar de eonismo. Sendo habitual (e natural) as meninas quererem experimentar os vestidos e os sapatos das mães, também acontece, embora mais discretamente, os meninos quererem fazer o mesmo. Em qualquer dos casos, se o fenómeno se dá em idades muito jovens, não passará, provavelmente, de uma brincadeira inocente; mas, se subsiste mais tarde, pode significar uma tendência que acabará por ser mais ou menos assumida, na idade adulta.

ERECÇÃO – Fenómeno que, através do afluxo de sangue a um tecido eréctil, transforma um órgão mole num órgão duro. A erecção masculina do pénis é o fenómeno mais visível, no contexto da atracção sexual. Sem ela, não é possível concretizar a penetração, embora haja truques para provocá-la. Uma das maiores frustrações masculinas consiste, precisamente, na falta de erecção no momento culminante de uma relação amorosa, o que pode levar a problemas psicológicos graves. Pode ser devida a causas físicas, como o cansaço, ou à idade; ou ter outras causas menos evidentes, como a ansiedade, a impaciência, a angústia de fazer má figura perante aquela a quem se quer impressionar, etc. O problema dessa impotência é tão universal que deu origem ao aparecimento de produtos destinados a criar e a manter, durante algum tempo, uma erecção consistente – o mais famoso dos quais, o Viagra, se vulgarizou em todo o mundo, sendo até vendido pela Internet.
            Um problema de tipo diferente é o fenómeno da "erecção permanente", que pode ser dolorosa, e é chamada priapismo. Parecendo, à primeira vista, uma vantagem sexual, acaba por ser verdadeiramente insuportável.

EROS – Deus grego do amor, era filho de Marte e de Vénus. Amável como sua mãe e guerreiro como seu pai, é geralmente representado com um arco na mão e as flechas em bandoleira, prontas a ser atiradas àqueles que pretende que sejam atingidos pelo Amor. A sua figura foi representada, milhares de vezes, em quadros, esculturas e outras obras de arte.

EROTISMO – O que se refere ao Amor, no seu aspecto mais subtil e delicado. Tudo aquilo que provoca pulsão sexual. Nunca terminará a discussão sobre a fronteira entre o erotismo e a pornografia, mas é geralmente aceite que o erotismo repudia a obscenidade e representa o Amor através da sugestão, sem explicitar. No entanto, estes conceitos são muito variáveis de indivíduo para indivíduo. O valor e o significado das imagens eróticas dependem da mente de quem as observa. Conhece-se a história do homem a quem um psicanalista apresentou dezenas de imagens diferentes, desde flores a animais, a paisagens, a manchas de tinta, perguntando sempre o que o homem via em cada uma. A resposta foi sempre a mesma: “Vejo uma vagina”. Até que, cansado do exercício, o homem disse para o psicólogo: “Não perca mais tempo. Seja qual for a imagem que me mostre – na minha cabeça, o que eu estou sempre a ver é mesmo uma vagina!”...

EROTOMANIA – Forma, mais ou menos pronunciada, de uma certa fixação e preocupação de ordem genital, que pode, em casos extremos, atingir o delírio. O erotómano imagina que todas as pessoas do sexo oposto o amam. É, também, um narcisista. A sua erotomania é uma espécie de defesa contra as tendências homossexuais – que, nestes indivíduos, são geralmente fortes, embora nem sempre conscientes.

ESCATOLOGIA – Tem dois sentidos: por um lado, refere-se à doutrina das coisas que deverão acontecer no fim do mundo; por outro lado, trata de tudo o que tem a ver com os excrementos, o que o torna um assunto particularmente malcheiroso (v. Coprofilia).

ESMEGMA – Substância sebácea que é segregada pelas glândulas do prepúcio (nos homens) ou do clítoris (nas mulheres). A circuncisão masculina, quer seja praticada por motivos de ordem religiosa (como acontece entre os judeus e os muçulmanos); quer seja feita por motivos higiénicos; ou para eliminar uma fimose, (que é um estrangulamento anormal do prepúcio) – elimina os inconvenientes do cheiro desagradável que o esmegma liberta, quando fica retido por um prepúcio que não é lavado frequentemente.

ESPELHO – É um importante acessório erótico, usado diariamente por quase toda a gente. Nos elaborados processos de atracção sexual, tanto homens como mulheres preocupam-se com o seu aspecto, porque sabem que, aqueles que não se mostrarem bonitos e atraentes, terão, normalmente, mais dificuldade em conquistar alguém do sexo oposto (ou do mesmo sexo). Daí que seja importante comprovarem, através da observação minuciosa dos seus rostos, dos seus corpos, das suas vestimentas, enfim, da sua apresentação geral, se estão suficientemente belos para atraírem olhares e provocarem admiração e desejo. É por isso que se gastam muitas horas ao espelho, corrigindo pormenores, melhorando a maquilhagem, mudando de traje, por vezes sem se conseguir o resultado desejado.
Os narcisistas fazem-no, não para agradar aos outros, mas para se deliciarem consigo próprios, com o seu aspecto e a sua beleza.

ESPERMA – Líquido seminal, resultante da mistura do produto dos testículos com as secreções da vesícula seminal e da próstata. Contém, em 82% de água, além dos espermatozóides, matérias albuminóides, lecitina, sais minerais, como sulfatos, fosfatos e carbonatos. A quantidade de esperma por ejaculação pode variar de 1 a 8 gramas.
            Explicado assim, tecnicamente, em termos científicos, parece quase impossível compreender a enorme importância do esperma, do ponto de vista sensual. Uma ejaculação abundante excita tanto o homem que a emite como a mulher que a recebe. O esperma é um dos símbolos mais evidentes da virilidade e por isso se compreende que a sua falta ou diminuição (por causas fisiológicas, pela idade, etc.) dê ao homem uma sensação de frustração

15/02/2012

O EROTISMO A NU - De "COPROFILIA" a "DIVÓRCIO"

COPROFILIA – Perversão que leva certas pessoas a excitar-se sexualmente, a amar e, em casos extremos, a comer, matérias fecais, ou a beber urina. Caso para dizer que, no sexo, há gostos e apetites para tudo! (v. Escatologia) 

CORNO – Cada um dos dois apêndices ósseos que aparecem na cabeça de certos animais. Na linguagem corrente, a palavra é, por vezes, pudicamente substituída por "chifre". No sentido que nos interessa, corno é um marido ou amante que é enganado pela sua parceira, a qual mantém relações com outro. Se ele sabe e não reage, dá-se-lhe o nome de "corno manso". Os Franceses traduzem o termo para a sua língua sob a pitoresca forma de “cocu”, personagem muito frequente no chamado “teatro de boulevard”.

CORTESÃ – A designação original referia-se a uma "dama da corte", mas o significado foi-se alterando, até passar a designar uma prostituta que atende pessoas de alta categoria social. Não deixa de ser prostituta, mas tem um nome mais fino – e ganha mais que as outras.

COUP DE FOUDRE – Tecnicamente, é uma descarga eléctrica, mas o sentido da expressão foi-se alterando, passando a designar uma paixão fulminante e repentina.

COURO – Ou coiro, é a pele de certos animais – mas também se designa com este nome uma mulher muito feia, ou uma prostituta velha. Se é excepcionalmente feia, chamam-lhe coirão. "Couro cabeludo"  tanto pode ser a “pele do crânio”, como uma “mulher feia e peluda”. Quando nos enganam e nos roubam tudo o que temos, diz-se que nos levaram "couro e cabelo".

CROMOSSOMA – Estrutura composta de ADN que participa na determinação do sexo do indivíduo.

CU – É o nome do orifício onde termina o intestino grosso – mas, por extensão, refere-se a tudo o que lhe está à volta: as “nádegas”, a “bunda”, o “traseiro”, ou o rabo, e muitas outras designações que são aplicadas a uma das partes mais fascinantes, mais evidentes e mais admiradas do corpo humano.

CUNNUILINCTUS – Prática de carícias buco-linguais nos órgãos sexuais femininos. Em linguagem popular, diz-se "minete". Considerada, durante muito tempo, como uma aberração, tornou-se uma variante mais ou menos aceite do sexo oral, praticada como alternativa, ou como prelúdio, do sexo mais convencional. A excitação provocada no clítoris e no orifício vaginal pode conduzir ao orgasmo. Não é prática exclusiva do género humano, pois muitos outros mamíferos a ela se dedicam. Para o homem, trata-se de excitar a sua parceira, excitando-se ao mesmo tempo. 


D

DANÇA – Conjunto ritmado de movimentos do corpo, acompanhados por música. Tal como acontece com certos animais, em que a união sexual é precedida por uma espécie de "dança ritual", em que o macho e a fêmea se vão preparando para se unirem, à medida que os movimentos os vão aproximando, também no género humano certas danças os levam a um estado que se aproxima da excitação sexual. Isso é particularmente evidente em danças de carácter erótico, como o tango. Em tempos mais pudicos, os dançarinos não se tocavam, a não ser brevemente, pelas pontas dos dedos. Mas os estilos de dança foram evoluindo e já vai longe a época em que a valsa era considerada uma modalidade muito ousada... Curiosamente, em algumas das danças mais modernas, os participantes voltam a não se tocar, evoluindo individualmente, bem afastados um do outro.

DATING – Termo da língua inglesa que significa "encontro", "namoro". Quando uma rapariga americana diz: “This aftenoon I have a date”, quer dizer que vai sair com um rapaz, provavelmente para comerem uns "hotdogs", beberem umas coca-colas e apalparem-se furiosamente (v. petting) no banco de trás do carro do papá.

DECOTE – Recorte na parte de cima do vestido, mais ou menos acentuado, conforme se pretende mostrar mais ou menos as mamas. A sua profundidade tem variado, conforme as eras e as modas. Em certas épocas e entre certos povos, as mulheres exibiam naturalmente os seios nus – como no Egipto antigo, em Creta e mesmo em Atenas e Roma. Durante séculos, as mulheres exibiram decotes que não deixavam nada à imaginação. Depois, em épocas e terras mais puritanas, os decotes desapareceram e os vestidos subiram até ao pescoço. Nos últimos tempos, porém, voltou a moda dos decotes vertiginosos, que deixam ver livremente as redondezas mamárias, para alegria dos voyeurs.

DEGENERADO – Nome aplicado ao indivíduo que apresenta hábitos ou gostos fora do normal – embora o conceito de "normalidade" seja muito difícil de definir com precisão, o que faz com que alguém, que é tido como degenerado por uma certa pessoa, ou em determinada época, possa ser um modelo a admirar e a seguir, por outra pessoa e numa época diferente.

DENTES – Concebidos naturalmente para ajudar a comer, os dentes sempre tiveram outras funções, não menos importantes, do ponto de vista erótico. Servem para trincar, para mordiscar e, acima de tudo, para exibir. Uma dentadura bonita é um importante atractivo sexual. Daí as preocupações, que muita gente tem, não apenas com a sua limpeza, mas, também, com o seu aspecto, mantendo os dentes brilhantes e alinhados, sem falhas nem cáries visíveis. Em certas épocas, chegou a ser considerado um símbolo, não apenas de status social, mas, também, de "charme", exibir um "dente de ouro".

DEPILAÇÃO – Acção de rapar os pêlos, considerados supérfluos, do corpo humano. Sempre foi, para além dos aspectos higiénicos, uma forma de o embelezar e tornar mais atraente. A depilação mais comum é a que os homens praticam, ao raparem a barba. As mulheres detestam mostrar pêlos nas pernas e, por isso, usam os mais variados produtos e técnicas (ceras, cremes, electro-depilação) para os destruírem. Também preferem eliminar os inestéticos pêlos do lábio superior, que as ameaçam, a algumas delas, de virem a exibir um farfalhudo bigode. A depilação das axilas, feita por grande parte das mulheres e alguns homens, evita parcialmente o desagradável cheiro a sovaquinho. Mas a depilação que se tornou moda, nos últimos tempos, é a que elimina, parcial ou totalmente, os pêlos púbicos. Não é fácil de fazer, nem barata, mas muita gente se sacrifica para deixar as suas partes genitais lisas e limpas. O requinte de algumas pessoas leva-as, porém, a deixarem pêlos suficientes para desenharem formas mais ou menos imaginosas – corações, setas, flores, borboletas – que são interessantes surpresas, reveladas a quem a elas tem acesso visual.

DESEJO – Sentimento que faz uma pessoa ser atraída para outra. Instinto, apetite, inclinação, pulsão. É diferente da vontade, porque é inconsciente. Dizia Sartre que “o desejo exprime-se pela carícia, como o pensamento se exprime pela linguagem”. Ter desejo por alguém significa, normalmente, querer fazer sexo com essa pessoa – mesmo que, numa fase inicial, isso esteja meio escondido e embrulhado em sentimentos da mais pura admiração e apreço.

DESFLORAÇÃO – Em sentido botânico, refere-se à queda prematura de flores. Em sentido sexual, refere-se à perda da virgindade. Em linguagem popular, diz-se, ao falar de alguém que foi desflorado, ou "desvirginado", que “lhe tiraram os três”, ou que “perdeu os três”. Este conceito de “perder os três” nunca foi bem explicado, mas a expressão continua a ser muito utilizada, mesmo sem se saber quem, ou quais, são os tais “três” perdidos.

DESVIO – Mudança, considerada anormal, de um determinado caminho. Tem um sentido parecido com o de degeneração, mas com menor gravidade. Assim, por exemplo, diz-se que “ela teve um desvio, andou para aí metida com outro, mas já voltou para casa do marido”. 

DIABO - Também conhecido por "Demónio", "Demo", "Satã", "Satanás", "Lúcifer", "Belzebu", "Chavelhudo", "Tinhoso", "Mafarrico", "Maligno", "Mefistófeles", "Pé-de-Cabra", "Tinhoso", "Génio do Mal", "Espírito das Trevas" e muitíssimos outros nomes, todos eles com sentido altamente pejorativo, representa tudo o que há de mau neste mundo. "Ter o Diabo no corpo" significa, do ponto de vista dos moralistas, estar sempre pronto (ou pronta) para os prazeres da carne. Claro que os não-moralistas são, todos, "levados do Diabo".

DIREITO DE PERNADA – Nos tempos medievais, o rei, o príncipe, o senhor das terras, exercia a primazia de ser ele a desflorar as mulheres que iam casar-se. Chamava-se a este direito ancestral "Jus primae noctis", e dava aos senhores o papel de “fecundadores sagrados”. Os maridos, coitados, só depois (por assim dizer “em segunda mão”) podiam exercer as suas funções matrimoniais.

DIVÓRCIO – Actualmente, é uma das cerimónias civis mais praticadas, aproximando-se o seu número, progressivamente, do número dos casamentos. Durante certas épocas, o divórcio foi mal visto pela sociedade; por isso, os casais, mesmo não se entendendo na sua vida comum, suportavam-se mutuamente, até ao fim das suas vidas, só para não melindrarem as respectivas famílias e os conhecidos. Nos tempos correntes, são tão frequentes as festas matrimoniais como as "festas de divórcio", e as "despedidas de casado" são tão vulgares como as "despedidas de solteiro"... 

11/02/2012

O EROTISMO A NU - De "CHEIRO" a "CONTRACEPÇÃO"

CHEIRO – Os odores, particularmente os do corpo humano, têm um papel importantíssimo no relacionamento amoroso e em todos os aspectos da vida sexual. Há que distingui-los e classificá-los: existem os "cheiros humanos" normais (do suor, dos orifícios do corpo, ou das excreções naturais); o "cheiro do corpo humano no seu conjunto" (é muito diferente o dos homens, quando comparado com o das mulheres); o "cheiro da pele" (que depende da raça e, em grande parte, dos hábitos de higiene); o "cheiro especial de cada parte do corpo" (os pés, com o “chulé”, as axilas, com o “sovaquinho”, os cabelos, a zona genital); o hálito (que depende dos hábitos alimentares e dos cuidados, mais ou menos regulares, com a boca e os dentes); e os "cheiros adquiridos", que se entranham na pele e nas roupas (como o do tabaco); etc.
            Tal como acontece com os outros animais, todos estes cheiros podem ser factores de atracção ou de repulsa, quando de um relacionamento sexual entre humanos. Uma pessoa é mais ou menos atraída para um parceiro, conforme o seu cheiro lhe agrada ou não. E há os casos extremos, em que um odor, considerado nauseabundo por alguns, funciona como um delicioso perfume para outros. Nem todos os homens apreciam o chamado “odor di femmina”, e há mulheres que ficam loucas com o forte "cheiro das axilas" de um homem a pingar transpiração.
            Os perfumes são "cheiros artificiais" que foram inventados com duas finalidades distintas: para personalizar aquilo que pode chamar-se o "cheiro social" de uma pessoa – ou para mascarar os "cheiros naturais", quando estes não são agradáveis; por exemplo, pela falta evidente do hábito do banho diário. Consta que Luís XIV de França nunca tomou um banho, e, para disfarçar o seu cheiro, que devia ser bastante activo, se encharcava com perfumes.

CHORO – Acto de verter lágrimas, que pode ter várias justificações (desgosto, dor, alegria, outras emoções) ou várias finalidades (impressionar os circunstantes, reconquistar confiança perdida, fazer chantagem emocional, etc.). Nem sempre tem a intenção que é expressa no dito popular “Quem não chora não mama”.

CHULO – Indivíduo que vive à custa de prostitutas ; também chamado gigolô (em Francês “souteneur”, em Inglês “pimp”). No Brasil usa-se o termo “caften”. Mas, seja qual for a designação, trata-se de uma actividade em que o trabalho é relativamente pequeno e o lucro é relativamente grande.

CINTO DE CASTIDADE – Instrumento que foi inventado pelos homens ciumentos, para evitar que as suas amadas pudessem gozar de qualquer tipo de satisfação sexual, na sua ausência. Foi bastante utilizado, em tempos medievais, quando os cavaleiros partiam para longas jornadas, deixando as esposas à sua espera, por vezes, durante muitos meses ou, até, anos. Era constituído por duas partes: o cinto, propriamente dito, de metal flexível, por vezes forrado de veludo, que podia ser fechado com um cadeado, e uma ou duas placas perfuradas, em metal, osso ou marfim, passando entre as pernas e possibilitando apenas as funções naturais, mas não permitindo o acesso à vagina nem ao ânus, nem mesmo com os dedos, pois os orifícios respectivos tinham picos que desencorajavam quaisquer ousadias libidinosas. A primeira representação gráfica de um desses objectos data de 1405, quando um militar chamado Konrad Kyeger o desenhou num manuscrito que está hoje na Biblioteca da Universidade de Göttingen. No Museu do Palácio dos Doges, em Veneza, existe um exemplar de cinto de castidade que teria pertencido a Francisco II. Parece que Charlotte d’Orléans, mais conhecida por "mademoiselle" de Valois, foi obrigada pelo seu marido a usar um desses aparelhos, ao tornar-se princesa de Modena. Histórias parecidas referem-se aos exemplares do Museu de Cluny, em Paris, sendo que um teria sido destinado, por Henrique II, a ser usado por Catarina de Médicis, e outro por Luís XIII para Ana da Áustria. No Museu do Prado, em Madrid, há numerosos desenhos de Goya, entre os quais um que pormenoriza o cinto de castidade. Ainda em 1900 se anunciava a venda destes instrumentos, pelo preço de 120 a 150 francos, num folheto em que M.Cambon, “maire” e notário em Aveyron, escrevia, a propósito de tal invenção que “graças a ela as meninas podem ficar ao abrigo dessas infelicidades que as cobrem de vergonha e mergulham as suas famílias no luto. Assim, o marido deixará a sua esposa sem receio de ser ultrajado na sua honra... Os pais estarão seguros de ser pais... e ser-lhes-á possível ter debaixo de chave coisas que são mais preciosas que o ouro!”... E, em Inglaterra, ainda em 1903 uma mulher chamada Emilie Schäffer pedia patente para “um cinto com fechadura e chave, destinado a proteger da infidelidade conjugal”.

CINTURA – É uma espécie de “linha do Equador” do corpo humano, pouco pronunciada no corpo masculino, mas geralmente muito vincada nas mulheres jovens. Em certas épocas da História, era sinal de grande feminilidade possuir uma cintura muito estreita, a chamada "cintura de vespa", acentuada através do uso de espartilhos que apertavam o corpo até limites quase impensáveis fisicamente. Quanto mais estreita for a cintura, maior destaque é dado às ancas, que adquirem assim um valor erótico acrescentado e, geralmente, muito apreciado.

CIO – Período de excitação sexual em que as fêmeas estão predispostas a aceitar os machos para acasalamento. Também se designa por “aluamento”, porque tal período é comandado pelas fases da Lua. Então diz-se que “ela está aluada, anda com o cio”.

CIRCUNCISÃO – Corte do prepúcio, praticada ritualmente pelos Judeus, pelos Muçulmanos e por alguns povos de raça negra. É um ritual que consagra a virilidade dos rapazes e o fim da sua fase infantil. (Em certos povos primitivos, pratica-se também a ablação do clítoris das meninas). Do ponto de vista higiénico, a circuncisão oferece a vantagem de eliminar a formação do esmegma, uma substância pastosa que se forma nas dobras da pele, na zona genital, e que não é nada agradável, nem à vista nem ao olfacto.

CIÚME – Estado emocional de sofrimento, devido à angústia e à dúvida de que a pessoa amada possa ter afecto por outra. Exigência de exclusividade do amor dessa pessoa. Pode levar a situações extremas, mesmo trágicas, quando a pessoa ciumenta julga ter provas de estar realmente a ser traída, e pensa resolver o caso por meios violentos. Em geral, não resolve nada – e pode acabar na cadeia.

CLIMACTÉRIO – Período da vida que se acreditava ocorrer, de 7 em 7 anos, na vida dos indivíduos, e que terminaria com grandes alterações fisiológicas e psíquicas – até que, na mulher, se entraria na menopausa, a fase em que termina a vida reprodutiva. A palavra, de origem grega, significa “degrau”, ou “ano crítico difícil de vencer”. O que vale é que, ultrapassada essa fase, tudo entra novamente nos eixos e a vida pode adquirir, até, um outro interesse.

CLÍMAX – O momento culminante do êxtase amoroso. É o apogeu, o instante mágico em que as sensações atingem o ápice, concretizado na explosão do orgasmo.  

CLÍTORIS – Ou clitóris. Pequeno órgão eréctil do aparelho genital feminino, situado entre os pequenos lábios. Dito desta maneira, fria e fisiológica, parece estarmos a falar de um pormenor, sem grande importância, do corpo feminino. Ora, na verdade, trata-se da primeira zona erógena da mulher, a mais importante e aquela que é preciso saber estimular, para que ela sinta prazer no acto amoroso. Essa estimulação pode ser conseguida através do contacto com o membro viril do homem; ou através do sexo oral; ou por masturbação, digital ou com a ajuda de qualquer objecto apropriado, por exemplo, um vibrador.

COITO – A palavra tem sentidos diferentes, conforme seja referida a acções praticadas por adultos ou por crianças. Neste último caso, refere-se a um lugar previamente combinado, nos jogos infantis, onde o perseguido fica a salvo do perseguidor. No caso dos adultos, refere-se ao acto sexual comum, à cópula, em que o macho e a fêmea realizam a união natural, quer esta seja feita com intenção de procriar, ou, apenas, de gozar as delícias de um bom orgasmo. O "coito interrompido", também chamado “interrupto” ou “incompleto”, é aquele em que o pénis é retirado da vagina antes do orgasmo e da ejaculação. Não é um coito lá muito agradável, nem, sequer, muito eficaz, pois não tem conta o número de bebés que nasceram assim, inesperadamente, dado que alguns espermatozóides se escaparam e se anteciparam ao clímax, cumprindo assim, apesar de todas as precauções, a sua tarefa natural de procurar o óvulo. 

COMPLEXOS – Do ponto de vista psicológico, segundo Carl G. Jung (1875-1961), são sistemas de ideias associadas, por vezes inconscientes, contraditórias, ligadas à afectividade, capazes de levar o indivíduo a pensar e a agir de acordo com um padrão definido, causando-lhe perturbações psicológicas. Entre os mais comuns, citam-se o "complexo de castração" (segundo Freud, medo da perda de um elemento sexual, como o pénis, nos meninos); o "complexo de culpa" (necessidade de punição); o "complexo de Édipo" (reacções afectivas em relação aos pais – igualmente segundo Freud, desejo de relações sexuais que o filho sente pela mãe); "complexo de Electra" (desejo de relações sexuais da filha com o pai); "complexo de inferioridade" (medo de se sentir inferiorizado, particularmente em relação a órgãos ou características corporais, como um pénis pequeno, por exemplo); "complexo de superioridade" (o inverso do anterior); etc. Muitos outros poderiam ser citados, entre os complexos ligados à sexualidade, mas o tema é vasto de mais para ser aqui resumido. Citemos apenas, pelas suas características especiais, o curioso "complexo do automóvel", descrito por Franz Alexander e Pfister, o qual se manifesta por uma busca patológica da supremacia, através da velocidade e da exibição do modelo mais recente e mais potente, como substituto da supremacia sexual.

CONCUBINA – Mulher que vive maritalmente com um homem, sem serem casados um com o outro. Em Português há uma variedade enorme de nomes para a mulher nesta situação, e vale a pena apreciar a lista: amante, "amásia", "amiga", "arranjo", "banda-de-esteira", "barregã", "boneja", "cacho", "camarada", "caseira", "caso", "china", "clori", "cóia", "comborça", "coura", "dama", "encosto", "espingarda", "fêmea", "franjosca", "gansa", "gato", "iça", "manceba", "moça", "murixaba", "muruxaba", "osso", "puxavante", "rapariga", "sexta-feira" ou "sucuba". Vêm todos no dicionário e é espantoso como se podem criar tantas designações, algumas delas bem originais, para uma situação tão comum.

CONSOLADOR – Quando se trata de bebés, o consolador chama-se "chupeta". Quando nos referimos a gente adulta, o consolador é mais vulgarmente designado como vibrador (embora nem todos tenham essa função específica, isto é, embora nem todos vibrem). Trata-se de um pénis artificial, mais ou menos realista, que pode incluir características especiais, como uma pilha que o faz vibrar mais ou menos rapidamente, depósito para líquido substituto do sémen, podendo ainda apresentar-se com diferentes cores e sabores. Também é conhecido por godemiché ou "consolo-de-viúva", um nome apropriadíssimo.

CONTACTO – Estado de dois ou vários corpos que se tocam. Por extensão, dá-se este nome a uma "relação corporal", como objecto de pulsão da líbido. Durante certas épocas, os contactos de carácter amoroso foram muito limitados e severamente reprimidos pelas convenções e hábitos sociais ou religiosos, e tais interdições faziam criar ilusões sobre os mistérios do sexo, que depois se transformariam, frequentemente, em desilusões, perante as cruas realidades.

CONTRACEPÇÃO – Qualquer método que – à excepção da abstinência e do aborto, bem como da esterilização e da castração – permite contactos sexuais entre parceiros férteis, sem fecundação. A eficácia dos meios anticoncepcionais depende, não apenas do método usado, mas, também, e em grande parte, de factores psicológicos. A preocupação com o seu uso adequado, a preparação que exigem, a demora que isso implica, podem, por vezes, frustrar o entusiasmo inicial dos amantes.
Nas mulheres, os métodos mais comuns são o "diafragma vaginal" e os contraceptivos orais, como a chamada pílula, para suprimir a ovulação. No uso do "diafragma", e uma vez que restam sempre espaços microscópicos de possível passagem de espermatozóides, é recomendável e prudente acrescentar-lhe substâncias espermicidas. Quanto à pílula, terá de ser tomada com a regularidade recomendada, sob pena de não ser totalmente eficaz. Existem outros métodos, alguns deles prescritos por sexólogos, outros bastante insólitos. Nota curiosa: o famoso Casanova recomendava o uso de metade de um limão como contraceptivo vaginal, pois a acidez do seu sumo constituiria uma protecção química.
Nos homens, além do "coito interrompido", com os seus aspectos negativos, que são funcionais mas, também, psicológicos, o meio mais usado é o preservativo, a chamada camisa-de-Vénus, ou "condom".  
Vários outros métodos (mecânicos, químicos, rítmicos, etc.) foram, e ainda são, utilizados. Um dos que tiveram grande aceitação foi o de Ogino-Knauss, o único a ser admitido pela igreja católica. Elaborado por Ogino (1932) no Japão e Knauss (1953) na Austrália, consiste em limitar as relações sexuais aos períodos de esterilidade da mulher, os chamados “períodos de segurança”, relacionados com as datas da menstruação. Todavia, como nenhum deles se revela totalmente seguro, é geralmente recomendado o uso alternado de diferentes métodos, sucessivamente.  
Nos países mais populosos, como a China e a Índia – não sendo possível, como é evidente, convencer as pessoas a deixarem de fazer sexo (quem é que aceitaria uma ideia tão tonta como essa?) – a contracepção é altamente encorajada pelos respectivos governos, a fim de evitar os perigos do excesso populacional.